Santiago de Compostela

Nos dias 26 e 27 de Outubro de 2019 fomos até Santiago de Compostela, na Galiza, em Espanha. Já tínhamos visitado no passado Santiago de Compostela, nos dias 25 e 26 Julho de 2014, mas a Catedral encontrava-se em obras, pelo que decidimos voltar após as obras de restauro da fachada.

Santiago de Compostela é uma cidade muito rica em história, com edifícios que nos transportam numa viagem no tempo. O principal monumento da cidade é a Catedral de Santiago de Compostela contudo as ruas e becos da cidade permitem um passeio durante horas.

Ruas de Santiago de Compostela, Espanha

Ruas de Santiago de Compostela, Espanha

A Cidade antiga de Santiago de Compostela, incluindo a sua catedral, é classificada Património Mundial da humanidade da UNESCO desde 1985.

Praza do Obradoiro, Santiago de Compostela, Espanha

História e Origem do Culto

Santiago Maior, também chamado Santiago de Compostela, foi um dos doze apóstolos de Jesus Cristo. Segundo a bíblia, Tiago é um dos discípulos mais íntimos de Jesus, assim como Pedro e João. Na Bíblia é referido sob o nome de Jacob ou Jacó, termo que passou ao latim como Iacobus e derivou em nomes como Iago, Tiago e Santiago (sanctus lacobus). Foi chamado Santiago Maior para o diferenciar de outros santos de nome Tiago, como Santiago Menor e ainda Santiago, o Justo.

Após a morte e ressurreição de Jesus Cristo, Tiago partiu para Finisterrae para espalhar suas palavras, região situada a cerca de 100 km a oeste de Santiago de Compostela e considerada por muitos o verdadeiro fim do Caminho de Santiago, havendo muitos peregrinos que após visitarem Santiago de Compostela continuam a peregrinação até ao extremo do cabo.

Tiago iniciou seu trabalho de evangelização em Iria Flávia em 33 d.c. e, após alguns anos, regressou a Jerusalém para acompanhar a Virgem no seu leito de morte. Após um curto período a pregar, Tiago foi preso e condenado à morte (ano 44 d.c.). Reza a história que Teodoro e Atanásio, dois discípulos convertidos em Iria Flavia conseguiram recolher o seu corpo transportando-o de volta à Hispania. Os discípulos depositaram os restos mortais de Santiago num local do monte Libredón, onde hoje se ergue a catedral.

Em finais do século VIII difunde-se no noroeste da Península Ibérica a lenda de que Santiago Maior tinha sido enterrado nessas terras. Em 812 ou 813, um eremita chamado Pelágio avistou uma estrela pousada no bosque Libredón (local onde se situa atualmente a Igreja de São Félix de Solovio). Sob as ervas daninhas, ao pé de um carvalho, foi encontrado um altar com três monumentos funerários. Um deles guardava no seu interior um corpo degolado com a cabeça debaixo do braço. Ao seu lado, um letreiro rezava: «Aqui jaz Santiago, filho do Zebedeu e de Salomé». O religioso, por revelação divina, atribuiu os restos ósseos a Santiago, Teodoro e Atanásio, dois dos discípulos do Apóstolo compostelano, e informou o rei galaico-asturiano Afonso II da descoberta, que, após visitar o lugar, nomeou o Apóstolo patrono do reino e mandou construir uma capela e, posteriormente, uma igreja em sua honra.

Rapidamente se estendeu por toda Europa a notícia da existência do sepulcro do santo e Santiago converteu-se no grande símbolo da reconquista espanhola. Afonso II foi considerado o primeiro peregrino de Santiago de Compostela. Porém, o momento da descoberta o túmulo de Santiago corresponde à altura da morte de Carlos Magno (Carlos I), o primeiro Imperador do Sacro Império Romano. Esta descoberta foi muito importante para reunir os apoios necessários e legitimar a luta contra os muçulmanos, que ocuparam grande parte da Peninsula Ibérica (Al-Andalus) nessa época. Santiago é a figura sagrada do catolicismo da Península Ibérica. Infelizmente, a probabilidade que este seja efectivamente o túmulo de Santiago Maior é ínfima, pois este morreu em Jerusalém.

Os peregrinos começaram a chegar cada vez em maior número, o que obrigou a construção de uma nova igreja, consagrada em 899, a pedido do rei Afonso III.  Esta nova igreja será destruída um século mais tarde, em 997, por Al-Manzor, foi o governador do Al-Andalus (designação em árabe da Península Ibérica). Segundo crónicas árabes, os prisioneiros cristãos feitos escravos, carregaram com os sinos do templo de Santiago até Córdova, onde foram colocados na mesquita como candeeiros, e que, segundo parece, o caminho inverso foi feito dois séculos e meio mais tarde por prisioneiros muçulmanos, quando Fernando III os recuperou.

Só em 1075, no reinado de Afonso VI, é que se iniciam os trabalhos de construção da Catedral de Santiago de Compostela. Esta, de estilo românico, será concluída em 1122 e consagrada em 1128, tendo sofrido várias reformas que lhe adicionaram elementos góticos, renascentistas e barrocos.

Catedral de Santiago de Compostela, Espanha

Catedral de Santiago de Compostela, Espanha

Altar com a figura de Santiago Maior onde é possível, passando por detrás, colocar as mãos sobre este, Catedral de Santiago de Compostela, Espanha

Túmulo de Santiago Maior, Catedral de Santiago de Compostela, Espanha

Missa do Peregrino

A missa do Peregrino celebra-se todos os dias às 12:00h. Durante os Anos Santos aumenta-se o número das missas do peregrino devido à grande afluência de peregrinações. No início da Eucaristia e como acto de boas vindas, lê-se uma lista dos peregrinos que chegaram a Santiago de Compostela e que passaram pela Oficina do Peregrino nas últimas 24 horas, mencionando os locais de começo das peregrinações e as nacionalidades ou as regiões de origem.

Missa do Peregrino, Catedral de Santiago de Compostela, Espanha

Botafumeiro

O botafumeiro é um dos símbolos mais famosos e populares da Catedral de Santiago de Compostela. É um incensário de grandes dimensões que se move desde a cúpula central da catedral sobre as naves laterais. Oito homens são necessários para movimentá-lo, conhecidos como “tiraboleiros”, pesa 53kg, mede 1,50 metros, está suspenso a uma altura de 20 metros e pode alcançar uma velocidade de 68 km/h.

Botafumeiro, Catedral de Santiago de Compostela, Espanha

O Botafumeiro é usado por motivos litúrgicos, como qualquer sacerdote usaria um incensário no altar, e trabalha nas principais solenidades da Catedral, durante a procissão de entrada ou no final da Eucaristia. Este grande incensário quer simbolizar a verdadeira atitude do crente. Assim como a fumaça do incenso sobe ao topo dos navios do templo, as orações dos peregrinos devem subir ao coração de Deus. E assim como o aroma do incenso perfuma toda a basílica de Compostela, o cristão, com suas virtudes e o testemunho de sua vida, deve permear o bom cheiro de Cristo, a sociedade em que ele vive.

Botafumeiro, Catedral de Santiago de Compostela, Espanha

Botafumeiro, Catedral de Santiago de Compostela, Espanha

Pode-se ver o Botafumeiro nos seguintes dias e celebrações eucarísticas:

  • Epifania do Senhor, 6 de Janeiro
  • Domingo da Ressureição
  • Ascenção do Senhor
  • Aparição do Apóstolo-Clavijo, 23 de Maio
  • Pentecostes
  • Martírio de Santiago, 25 de Julho
  • Assunção de Maria, 15 de Agosto
  • Todos os Santos, 1 de Novembro
  • Cristo Rei
  • Imaculada Conceição, 8 de Dezembro
  • Natal, 25 de Dezembro
  • Transladação dos restos do Apóstolo, 30 de Dezembro
  • Também pode funcionar pela ocasião das peregrinações desde que solicitado.

Acabamos por aqui a nossa viagem e claro trouxemos as habituais lembranças:

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